Dois Destinos

28 jan
Dois Destinos é considerado por muitos a obra-prima do diretor italiano Valerio Zurlini, superando até mesmo A Primeira Noite de Tranqüilidade. Eu não saberia dizer qual é o melhor, sendo que os considero igualmente obras singulares da Sétima Arte. Os pouquíssimos cinéfilos que conhecem Zurlini, sabem que seu cinema é individual, amargo, de uma natureza reflexiva e melancólica, como nenhum outro cineasta. Portanto, é de se esperar que seus melhores trabalhos traduzam o que há de mais caro à natureza humana e ao próprio cinema: a desilusão. Dois Destinos narra o drama de Enrico (Marcello Mastroianni), um jornalista frustrado que perdeu sua mãe quando tinha apenas 8 anos de idade. Seu irmão Lorenzo é doado ainda novinho para uma família rica. Anos depois, Lorenzo perde tudo que tem e procura seu irmão, em busca não apenas de instabilidade, mas principalmente procurando formar uma união que nunca havia tido com um parente de sangue. Mas Enrico culpa Lorenzo pela morte da mãe, mas nunca lhe diz nada a respeito disso. Certa noite, Lorenzo o procura e fica hospedado em seu mísero quarto. Começa assim uma nova etapa de vida para os dois irmãos. Cada um ao seu jeito, vai procurando se aproximar um do outro, visitam sua avó que está numa espécie de asilo, debatem sobre a vida, vão em busca de empregos, e um dia se separam novamente. Até que Lorenzo diz a Enrico que sofre de uma grave doença sem cura. Enrico acompanha todo o processo de tratamento do irmão, se aproximando mais dele. Como você pode ver, não é uma obra que apresenta uma história acessível ao grande público, mas trata-se de um drama forte, seco, sem nenhum senso de humor, sem coadjuvantes engraçadinhos. Aqui, Zurlini demonstra o que sabe fazer melhor: desilusão, solidão, questionamentos. Conhecido como o poeta da melancolia, Zurlini em seus filmes não abre espaço pra subtramas, vai direto ao ponto que interessa. Também não apela para o melodrama. Tudo gira em torno desses dois irmãos, seus dramas, suas lutas, suas esperanças de que as coisas possam melhorar, mas ao mesmo tempo percebemos durante todo o tempo que eles estão fadados ao pior, como já deixa anteceder o início da obra. Poucas vezes na história do cinema um filme foi tão cruel com seus personagens, tirando-lhes toda e quaisquer perspectivas de um “amanhã glorioso”. Mas Dois Destinos não seria uma obra tão forte e esplêndida se não tivesse à frente seus dois atores fantásticos: Marcello Mastroianni (Enrico) tem aqui a melhor interpretação de sua carreira, segundo alguns críticos, mostrando porque que realmente era o melhor ator italiano de todos os tempos. A cena em que ele conta para o irmão já doente, sobre sua mãe, é de uma naturalidade espantosa, entrando para a lista das melhores interpretações da história. Mastroianni era fenomenal, incomparável, um monstro nas telas. O francês Jacques Perrin (Lorenzo) também está ótimo como o irmão mais novo em estado terminal. Perrin já havia feito um ano antes com Zurlini, o belo A Moça com a Valise, e é conhecido do grande público de arte pelo seu desempenho em Cinema Paradiso, em especial na emocionante cena final em que ele assiste às cenas dos filmes cortadas pela censura. Ótimos atores aliás, era prioridade para Zurlini. Ele sabia que seus filmes eram fortes, sinceros, e só grandes atores poderiam expressar toda a fúria e desesperança de seus personagens, entre os grandes atores “zurlinianos” estão: Jean-Louis Trintignant e Eleonora Rossi Drago (Verão Violento), Claudia Cardinale (A Moça com a Valise) e Alain Delon e Giancarlo Giannini (A Primeira Noite de Tranqüilidade).
Valerio Zurlini foi injustamente esquecido por um tempo, sendo redescoberto há pouco tempo em amostras de cinemas. Injustiça mesmo, porque se iguala aos grandes diretores italianos como Roberto Rossellini, Federico Fellini, Vitório de Sica, Michelangelo Antonioni, Ettore Scola e Luchino Visconti. Zurlini era pintor, artista nato, era exigente nas escolhas de cenários e ângulos de câmeras, seus filmes são verdadeiros estudos para cinéfilos e estudiosos da área. Seu cinema é lento, introspectivo, sempre em busca de respostas. Está entre o que o cinema mundial pode oferecer.
Dois Destinos é cinema bruto, sério e avassalador.
Nota: 5 de 5

Título original: Cronaca Familiare

Lançamento: 1962 (Itália, França)

Direção: Valerio Zurlini

Elenco: Marcello Mastroianni, Jacques Perrin, Valeria Ciangottini, Sylvie

Duração: 115 minutos

Drama

A Montanha dos Sete Abutres

28 jan
Um jornalista chega à pequena província de Albuquerque no Novo México, e convence o dono de um jornal a lhe dar emprego. Esse jornalista é Charles Tatum (Kirk Douglas), homem inescrupuloso e manipulador, que já foi despedido de vários jornais de prestígio pelas mais diversas razões. Um ano se passa sem que Tatum consiga uma grande reportagem que seria seu passaporte para sair dali e voltar a fazer parte dos grandes jornais de Nova York ou Chicago. Mas acaba surgindo uma oportunidade, quando seu chefe lhe manda juntamente com um jovem fotógrafo a um lugarzinho ali perto pra cobrir uma reportagem sobre cascavéis soltas. Mas a caminho, Tatum descobre que algo mais “atrativo” está acontecendo. Um homem ficou preso em uma velha mina indígena que desmoronou. O esperto jornalista prepara todo seu arsenal para que tudo se transforme em uma grande notícia. Começa então um grande show, um festival de sensacionalismo que envolve a visita ao local de milhares de pessoas, parques de diversão, circo, música ao vivo, e outros jornalistas da imprensa e TV afim de não deixar escapar nenhum detalhe, demonstrando assim a necessidade que muita gente tem em se sentir bem perante a desgraça de outros.
Tatum joga as cartas na mesa e se mostra dono do jogo. Manipula o xerife local (que é corrupto), prometendo-lhe a reeleição, em troca da garantia de que ninguém atrapalhará sua cobertura jornalística; obriga a esposa da vítima (a bela Jan Sterling) a se fazer de mulher desconsolada, sendo que esta só quer mesmo é lucrar com as vantagens que o show lhe proporciona, e descarta tudo que lhe é desfavorável nesse “circo” criado por ele. A influência de Tatum se torna tão grande ali, que em certo momento ele obriga que o trabalho de salvamento do homem soterrado não seja feito por dentro da mina (esse processo seria rápido, e isso consequentemente faria com que o show terminasse logo), mas através de uma escavadeira por cima da montanha, prolongando assim o que poderia ser algo bem mais rápido.
O diretor Billy Wilder ao dirigir A Montanha dos Sete Abutres sabia que estaria com isso, mexendo com casa de abelhas, ou melhor, mexendo com a imprensa. A mesma imprensa que pode elevar ou destruir a carreira de um filme nos cinemas. E foi isso que aconteceu, o filme de Wilder foi um grande fracasso. Mas, diga-se de passagem, que foi um fracasso injusto, porém, o tempo passou e o transformou em uma das obras-primas do cinema. Nunca o sensacionalismo foi visto no cinema de forma tão abrangente e lúcida. No também brilhante Rede de Intrigas (1976), o diretor Sidney Lumet expõe uma situação parecida, porém neste, critica-se o papel do sensacionalismo da TV. Em Paixões que Alucinam (1962). Samuel Fuller moostra a história de um jornalista que, na ânsia de ganhar o prestigiado prêmio Pulitzer, se finge de louco pra ficar por uns tempos em um manicômio e assim descobrir quem foi o assassino de um dos internos. Em 1940, o excelente diretor Howard Hawks mostra em Jejum de Amor a história de jornalistas que correm atrás da notícia, em especial alguma novidade sobre um homem acusado de um crime que está sendo condenado à forca. Mesmo que seja uma comédia “ligeira”, Hawks não deixa de dar umas alfinetadas, criticando a imprensa marrom.
Em Impacto Profundo, numa das cenas, um homem afetado por uma reportagem chega pra uma repórter e pergunta: “Antes de você ser repórter, você era um ser humano”? . Se a imprensa algumas vezes detona o cinema, o cinema em algumas ocasiões também não deixa por menos.
Mas A Montanha dos Sete Abutres não seria tão esplêndido se não fosse pela direção magistral de Billy Wilder e a excepcional atuação de Kirk Douglas. Wilder era um diretor versátil, dirigiu filme noir (Pacto de Sangue), dramas (Farrapo Humano, crepúsculo dos Deuses), drama de guerra (Inferno nº. 17), comédias (Sabrina, O Pecado Mora ao Lado, Quanto Mais Quente Melhor, Se Meu Apartamento Falasse), filme de tribunal (Testemunha de Acusação), voltou a falar do jornalismo em A Primeira Página. Kirk Douglas é um dos maiores atores de Hollywood, nunca vi uma atuação fraca de Douglas, e sempre se deu bem em todos os gêneros. Trabalhou com os mais respeitados diretores, entre eles: William Wyler (Chaga de Fogo), Vincente Minnelli (Assim Estava Escrito, Sede de Viver), Stanley Kubrick (Glória Feita de Sangue, Spartacus), Joseph L. Mankiewicz (Quem é o Infiel?, Ninho de Cobras), entre outros.
Em alguns cursos de Jornalismo e Comunicação Social, esse filme é muito comentado e discutido, até mesmo porque o próprio diretor Wilder já fora jornalista antes de entrar pra Sétima Arte. Se algum estudante dessa área ainda não assistiu A Montanha dos Sete Abutres, procure conhecer, certamente será mais um pilar para a matéria que envolve Sensacionalismo.
A Montanha dos Sete Abutres tem uma ótima história (foi indicado ao Oscar de Roteiro Original, aliás, sua única indicação), diálogos brilhantes, personagens fortes. Reparem que durante todo o filme só vemos três pessoas corretas: o pai da vítima, a mulher que reza e o dono do jornal em que Tatum pediu emprego; de resto, só vemos pessoas egoístas e manipuladoras. Em certo momento, Tatum diz ao seu editor: “Se não aparece uma notícia, eu saio na rua e mordo um cachorro”.
Todo o sensacionalismo e “importância” dados aos mineiros presos em uma mina no Chile esse ano, foi um exemplo de que a obra de Wilder não envelheceu, continua mais atual do que há quase 60 anos.
Nota: 5 de 5

Título original: Ace in the Hole

Lançamento: 1951 (EUA)

Direção: Billy Wilder

Elenco: Kirk Douglas, Jan Sterling, Porter Hall, Robert Arthur, Frank Cady

Duração: 111 minutos

Drama

Investigação Sobre um Cidadão Acima de Qualquer Suspeita

28 jan
O cinema político é quase tão antigo quanto o próprio cinema. D. W. Griffith em O Nascimento de uma Nação (1915) e Intolerância (1916) mostrava os dissabores de uma sociedade presa em impasses sociais, povos sendo reprimidos pelo poder em suas mais diversas formas. Em 1925, Sergei Eisenstein cria aquela que é talvez a maior obra política do cinema: O Encouraçado Potemkin, no qual ele narra os episódios reais que deram origem à Revolução Russa, onde carne podre servida aos marinheiros é o motivo para um motim que tomaria dimensões estrondosas em todo o país, culminando na execução de vários militantes nas escadarias de Odessa (essa cena é até hoje considerada um primor de montagem). Muitos desses filmes ficaram proibidos durante muitos anos aqui no Brasil e outros países, devido à censura. Até hoje pode ser visto como filmes que mexem em casa de abelha, incomodando muita gente, porque são obras que fazem pensar, levam à reflexão e abrem os olhos para uma direção muitas vezes não conhecida.
A Itália nos anos 70 produziu algumas das maiores obras do cinema político, onde talvez a mais importante seja Investigação Sobre um Cidadão Acima de Qualquer Suspeita. Nessa obra dirigida por Elio Petri, vemos um inspetor de polícia (Gian Maria Volonté) que assassina sua amante (Florinda Bolkan) sem nenhum motivo aparente. Após o crime, ele não retira as impressões digitais do local, e faz questão de tocar em garrafas e copos no intuito de deixar registrado sua presença ali. Ele deixa tudo “mastigado” para que a polícia saiba que foi ele o autor do crime. Mas, como se trata de um homem com um cargo muito influente, ele está acima de qualquer suspeita, ou melhor, ele está num patamar onde ninguém ousa denunciá-lo. Em dado momento ele chega na sala de seu superior e diz que conhecia a vítima; seu chefe faz alguns gracejos na intenção de dizer: “Não sei do que você está falando, voltemos ao trabalho!”. Peritos criminais passam por cima de provas plantadas pelo próprio inspetor, e fazem de conta que o suspeito não está ali na frente de todos. Entre represálias contra estudantes manifestantes, um jovem é preso, “suspeito” do crime, o que causa uma raiva muito grande no inspetor que só quer que a justiça trabalhe de forma exemplar e chegue até ele. Mas todo mundo faz vista grossa, com receio de se dar mal e/ou perder o emprego. Todo o departamento trabalha “incessantemente” a fim de prender o assassino, mas muitos ali sabem que o verdadeiro autor do crime não pode ser tocado. O que fazer então?
O diretor Elio Petri faz aqui uma crítica ao autoritarismo disfarçado e ao mesmo tempo um alerta contra a censura. O personagem principal age de forma altamente questionável, manipuladora, exercendo seu poder sobre a grande massa submissa a ele. Tudo pra ele é um jogo no qual sabe que não tem a perder. No início ele ri de tudo aquilo, se diverte em ver que tudo saíra como planejado; mas aos poucos vai mudando de pensamento, percebendo que a lei não está funcionando. Essa mesma lei que ele tanto se esforçou pra funcionar de forma ágil e severa está falhando com ele por se tratar de algo até então inédito. Vemos então aqui uma metáfora sobre o poder de manipulação, onde governos e autoridades em muitos casos usam suas influências pra passar por cima de fatos claramente óbvios aos olhos de todos.
No final dos anos 60 até os anos 70, o cinema viu a necessidade de criar filmes-denúncias, mostrar os absurdos de um sistema desigual que imperava em várias partes do mundo. Em 1969, Costa-Gravas com sua obra-prima Z, nos mostra um político sendo assassinado na frente de uma multidão de pessoas. O Estado quer fazer crer que foi um acidente e ignora todas as provas. Cabe a um promotor honesto ir contra tudo e todos e tentar desmascarar uma teia de corrupção que alcança elevados níveis de hierarquia.
Em 1971, Elio Petri faria (novamente com o ator Volonté) o polêmico A Classe Operária Vai ao Paraíso, em que um operário exemplar de uma indústria perde um dedo em uma máquina de trabalho e depois disso se dá conta de como funcionam os movimentos sindicais. Outra denúncia sobre a sociedade e seus impasses ideológicos, sempre fugindo de algo e ao mesmo tempo em busca de alguma coisa.
A brasileira Florinda Bolkan tem em Um Cidadão Acima de Qualquer Suspeita, seu grande momento de estrelato, mas é sem dúvida Gian Maria Volonté quem brilha, no papel do inspetor. Volonté é o ator que melhor expressou o cinema político da Itália, ele está ótimo também em outro filme-denúncia: Giordano Bruno (1973). Em A Moça com a Valise (1961) de Valério Zurlini, Volonté aparece em uma ponta no papel de um ex-namorado da personagem interpretada por Claudia Cardinale. Porém, Ele é mais lembrado pelo grande público por ter feito o vilão nos dois primeiros filmes da famosa trilogia de western spaghetti feito por por Sergio Leone: Por um Punhado de Dólares e Por uns Dólares a Mais.
O final é um grito de desespero, onde ecoa a agonia de um homem disposto a fazer justiça por um crime que ele mesmo cometeu. Assim nos perguntamos: a “Lei”, que procura ser tão severa com o cidadão, funciona quando é exercida sobre ela mesma?
Investigação Sobre um Cidadão Acima de Qualquer Suspeita ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro e concorreu ao prêmio de roteiro original. Em Cannes, venceu o Grande Prêmio do Júri. Imperdível para os admiradores de um cinema crítico e inteligente. 

Nota: 5 de 5 

Título original: Indagine su un cittadino al di sopra di ogni sospetto


Lançamento: 1970 (Itália)
 

Direção: Elio Petri

Elenco: Gian Maria Volontè, Florinda Bolkan, Gianni Santuccio, Orazio Orlando, Sergio Tramonti

Duração: 112 minutos

Policial/Drama

A Casa de Pequenos Cubinhos

28 jan

 

Já assisti filmes longos com mais de três horas de duração, que ao final não há nada que acrescente coisa alguma, filmes vazios que se tornam um tédio, não havendo absolutamente nada que os tornem memoráveis. Eis que é uma grata surpresa que um curta-metragem de apenas 12 minutos consiga transmitir uma gama de emoções e reflexões que não vemos em muitos longas-metragens por aí. Me refiro à pequena animação japonesa com o título internacional em francês: La maison en petits cubes, ou traduzindo seria: A Casa de Pequenos Cubinhos.
Vencedor do Oscar de melhor curta-metragem, é de fato merecedor de prêmios e de reconhecimento essa pequena obra-prima dirigida em 2008 por Kunio Katō. É um trabalho artesanal muitíssimo bem feito, que conta a história de um homem bem velho que mora numa cidade submersa pela água. Um dia ele acorda e percebe que precisa construir um novo cubo acima, pois a água já alcançara a parte que ele estava morando. Terminada a construção, ele perde seu cachimbo. Com roupa de mergulho ele vai procurá-lo, é quando vem em sua mente as recordações do passado. A cada nível que ele vai descendo, as memórias lhe vem à tona. Sua esposa, filha e genro aparecem em forma de velhas lembranças à medida que ele vai passando pelas partes submersas ou vai revendo velhos objetos. Onde antes ele vivera seus bons momentos ao lado das pessoas que amava, hoje ficou submerso em água, perdido para sempre.
A Casa de Pequenos Cubinhos é uma história magnífica, exalando poesia em cada cena, ao som de uma belíssima trilha sonora. Pode ser vista como uma metáfora da vida, do tempo, do amor e da solidão. A triste trajetória de um homem que teve uma linda história de vivências e relacionamentos familiares que não voltam mais.
Podemos ver refletido naquele homem a nossa própria história. Quem nunca teve lembranças de coisas boas que ficaram para trás?
Belo e tocante, A Casa de Pequenos Cubinhos é uma comovente lição de vida para adultos e crianças. São poucos minutos que tem muito a dizer.

Clique aqui e assista a esse curta-metragem na íntegra.

Nota: 5 de 5

Título original: Tsumiki no ie

Lançamento: 2008 (Japão)

Direção: Kunio Katō

Duração: 12 minutos

Animação

Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora é Outro

28 jan
Há três anos foi lançado Tropa de Elite, um dos filmes brasileiros mais aclamados da história do cinema nacional. Assim como Cidade de Deus que mostrava o crime organizado de maneira ultra-realista e sem nenhuma maquiagem, Tropa de Elite mostrou além do crime organizado, a ação da equipe policial Bope, uma das mais temidas do Rio de Janeiro. Liderado pelo Capitão Nascimento (Wagner Moura), o esquadrão Bope recrutava homens para ingressar e fortalecer seu corpo tático, mas não era qualquer um que tinha peito pra fazer parte da equipe.
Tropa de Elite poderia ter se tornado o maior sucesso do cinema nacional se não fosse por um detalhe: a cópia do filme vazou e foi parar nas mãos dos “piratas” antes mesmo de ser lançado no cinema. Resultado: muita gente não quis ir ver na tela grande o que poderia ver a qualquer momento em casa, e não era cópia gravada de dentro do cinema, mas o filme em si com sua cópia bastante boa. Três anos depois é lançado sua continuação, porém com outro detalhe: o próprio diretor deixou claro que esse é pra ver exclusivamente no cinema, se referindo à impossibilidade de haver cópias. Mas uma coisa é certa: mesmo que esse filme venha a ser vendido nas ruas (dessa vez com imagem de cam, é claro), o bom mesmo é vê-lo na tela de cinema exibindo suas maiores qualidades. Aliás, qualidade é o termo que cai super bem à continuação Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora é Outro. Se o primeiro já era muito bom, esse agora é ótimo.
Começa de forma a não revelar muita coisa: o Capitão Nascimento é alvo de uma emboscada. Daí em diante seguimos sua trajetória (e sua narração), nos colocando dentro da penitenciária Bangu 1, onde há uma rebelião de presos liderados por um violento criminoso (Seu Jorge). Nessa que é uma das melhores seqüências dos últimos tempos em um filme brasileiro, acompanhamos o Bope entrando em ação pra tentar contornar (ou acabar de vez) com essa situação, quando é chamado um defensor dos direitos humanos (Irandhir Santos). Tudo acaba de forma imprevisível e começa então uma guerra entre policiais, bandidos e políticos (!!!). Aliás, os políticos são os verdadeiros vilões aqui, eles mentem, contratam, fazem acordos e preparam o terreno para que um grupo de policiais corruptos chefiados pelo comandante Russo (Sandro Rocha) estabeleçam uma milícia ultra-violenta nas favelas cariocas. Essa milícia detém o poder do tráfico, seja roubando e matando, seja assaltando delegacias pra roubar armas. Obviamente não vou falar mais acerca dos acontecimentos pra não estragar a surpresa de quem ainda não viu o filme, só adianto que muitas reviravoltas acontecem em pouco menos de duas horas. O Capitão Matias (André Ramiro) e o comandante Fábio (Milhem Cortaz) continuam tendo participação importante na história). Uma repórter (Tainá Müller) tenta descobrir até onde vai toda a corrupção). Um apresentador de um programa sensacionalista de TV tenta manipular a opinião pública. Se lembram daquele comandante do primeiro filme que disse aquela famosa frase: “Pra eu te ajudar, você tem que me ajudar a te ajudar. Se é pra rir, tem que fazer rir.”? Pois é, esse aqui se tornou peça-chave em toda a sujeira, ele é o líder da milícia que eu citei mais acima. Russo é o maior vilão de Tropa 2, ele é quem manipula as facções e faz a maior guerra nos morros. Mas Russo não comanda tudo sozinho, ele tem o apoio de aliados dentro da própria polícia, além de chefes de gabinetes, deputados, e o governador do estado. O diretor José Padilha não faz vista grossa, e sai atirando pra todos os lados, não poupando ninguém. Padilha que além de diretor é um dos roteiristas e produtor pode ser considerado o cineasta mais corajoso do cinema brasileiro. Tudo que ele mostra no filme não parte da mente exagerada ou paranóica de alguém, mas de fatos que são de conhecimento de todos, ele só estende toda a sujeira e o “ventilador” se encarrega de jogar pra todos os lados. Sua direção é exemplar, seca, e sem rodeios; tudo é mostrado de forma direta, sem espaço pra sub-tramas desnecessárias ou romances forçados pra atrair público mais jovem em busca de situações água-com-açúcar.
Tropa de Elite 2 não deve nada aos melhores filmes do cinema mundial. É tenso, direto e corajoso; brilhantemente dirigido, produzido e interpretado. Falando de interpretação, vale ressaltar o formidável trabalho de todo o elenco. Wagner Moura está novamente perfeito na pele do Capitão Nascimento. Ele passa ao seu personagem todo o drama e aflição, interpretando um homem que se vê acuado e sem poder confiar em mais ninguém; André Ramiro retorna com toda sua seriedade impondo respeito no papel do Capitão Matias; Milhem Cortaz dessa vez mostra outra faceta na pele do comandante Fábio. Sandro Rocha está ótimo no papel do líder da milícia, seu personagem assusta e causa repulsa todas as vezes que entra em cena. André Mattos mostra todo cinismo no papel do apresentador de TV e futuro político; Irandhir Santos faz com profundidade o papel do defensor dos direitos humanos (seu papel é fundamental para o entendimento de todo o filme); Seu Jorge está sinistro como o líder dos amotinados de Bangu 1. Todo o elenco de apoio brilha e enriquece um filme que não se preocupa em discutir fatores sociais, ele apenas joga na mesa e cabe a cada um de nós tirar nossas próprias conclusões.
Longe de filmes maniqueístas vistos recentemente que tentam exaltar figuras públicas, Tropa de Elite não joga nada pra debaixo do tapete, mas sim expõe toda a corrupção de forma crua e nada sensacionalista. O diretor Padilha optou por um tom bastante realista que chega a causar arrepios: as cenas dos bandidos nas favelas e o momento em que políticos e policiais corruptos estão numa festa ao som de samba e tiros, é de uma veracidade fora de série. Palavrões não são poupados, tudo é falado da forma mais realista, sem medo de censuras. O discurso final do Capitão Nascimento na CPI é fantástico, onde ele não poupa ninguém e diz o que todos os brasileiros tem vontade de dizer mas não tem oportunidade.
O primeiro Tropa de Elite ficou de fora, não sendo selecionado pelo Brasil pra ser indicado ao Oscar de filme estrangeiro e acabou sendo premiado na Alemanha com o Leão de Ouro no Festival de Berlim. Moral da história: enquanto alguns brasileiros não gostam de ver o Brasil sendo “mal” representado no exterior com filmes que denunciam toda a corrupção e sujeira verde-amarela, os estrangeiros não estão com essa preocupação e reconhecem o verdadeiro valor do que é bem produzido.
Andando a passos largos pra se tornar o maior sucesso do cinema brasileiro de todos os tempos, Tropa de Elite 2 é o filme mais corajoso, tenso e brilhante dos últimos anos e um dos melhores do cinema brasileiro. Exagero? Confira e tire suas próprias conclusões.


Nota: 5 de 5

Ttitulo original: Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora é Outro

Lançamento: 2010 (Brasil)

Direção: José Padilha

Atores: Wagner Moura, Maria Ribeiro, André Ramiro, Milhem Cortaz, Irandhir Santos, André Mattos, Sandro Rocha, Seu Jorge.

Duração: 116 minutos

Policial

Duro de Matar

28 jan

 

Há filmes que são imitados à exaustão, mas nunca envelhecem, um exemplo perfeito disso é Duro de Matar, o melhor filme de ação policial já feito (Operação França e Bullitt são policiais mas não são rotulados como ação). Em 1987, o diretor John McTiernan surpreendera o cinema de ação ao colocar Arnold Schwarzenegger sendo caçado por uma criatura de outro planeta em O Predador. O sucesso desse filme abriu as portas para que McTiernan fizesse seu melhor filme (Duro de Matar), aquele que o consagraria, mesmo que ele não voltaria mais com o mesmo fôlego em seus filmes seguintes. Alguns deles até foram bons e fizeram sucesso, tais como: A Caçada ao Outubro Vermelho (1990), Duro de Matar – A Vingança (1995) e Thomas Crown – A Arte do Crime (1999); mas alguns deixaram a desejar, sendo fracasso de bilheteria: O Último Grande Herói (1993), Rollerball (2002) e Violação de Conduta (2003). Ou seja, o diretor promissor de dois dos melhores filmes de ação dos anos 80 perderia o jeito pra esse tipo de cinema. Quando foi lançado, Duro de Matar teve alguns pontos interessantes que chamaram a atenção: 1º – O enredo até então original, colocava um policial competente no lugar errado, na hora errada numa situação errada. Mas errado para ele ou para os bandidos? 2º – Entre vários astros da época, optaram por um ator que vinha de uma série cômica de TV chamada A Gata e o Rato. Mesmo que a série era um grande sucesso, nada fazia prever que seu astro Bruce Willis se saísse tão bem em algo até então diferente em seu currículo, um filme de ação super acelerado e sem muito tempo pra bate-papos. 3º – Longe de personagens como Rambo ou dos flmes de Schwarzenegger em que os heróis eram brutamontes que atiravam a esmo e pareciam ser imbatíveis, o personagem principal de Duro de Matar, sangra e precisa antes de correr pra briga, correr de seus adversários. 4º – Tanto o policial McClaine quanto os criminosos agem de maneira incrivelemente cínica em vários momentos.
O policial John McClane vai a Los Angeles visitar a mulher e os filhos. Ele  fica hospedado no prédio Nakatomi Plaza em que sua mulher (Bonnie Bedelia) trabalha. Lá está tendo uma festa entre os executivos e funcionários. Ele se instala em um dos quartos sem querer saber da festa. Terroristas invadem secretamente o local e mantém reféns os demais ali. McClaine percebe que algo está errado e tenta descobrir o que é, quando percebe a invasão dos criminosos e tenta detê-los. De início ele age de forma discreta, mas a situação se agrava e ele se vê forçado a encarar os adversários de frente. São terroristas internacionais liderados pelo alemão Hans Gruber (Alan Rickman) que sequestram o prédio para roubarem uma altíssima soma em ações financeiras. A situação de McClaine piora quando um inescrupuloso repórter de TV revela que ali no prédio há um policial casado com uma das funcionárias, é quando os terroristas usam esse fator para ameaçá-lo. Depois de muitos tiros e explosões, o FBI tenta intervir, mas se torna mais um alvo do enorme poder de fogo dos bandidos. McClaine recebe ajuda apenas de um policial que lhe auxilia por um rádio.
Duro de Matar é isso, um filme de ação que não nos deixa piscar um único segundo, é ágil e acelerado, além de conter alguns toques de sarcasmos vindos de Bruce Willis. Ele injeta doses de humor em seu personagem, em especial nos confrontos diretos com o líder Hans, como na cena em que McClaine o vê pela primeira vez. Os bandidos não perdoam e atiram até mesmo nos vidros só para verem McClaine sangrar.
Os roteiristas Steven E. de Souza e Jeb Stuart fizeram um ótimo trabalho, nunca um filme de ação funcionou tão bem e deu uma dimensão maior à luta crescente entre policial e bandidos. Tudo aqui é barulhento e movimentado. Quando se pensa que os bandidos deram uma pausa, eis que algum deles sai atirando por uma porta ou janela, não deixando ninguém sossegado. Tudo funciona muito bem, da direção ao elenco. A parte técnica é um primor de perfeição, utilizando de forma brilhante o som e os efeitos sonoros.
Duro de Matar teve três seqüências igualmente competentes, mas nunca à altura do original: Duro de Matar 2 (1990), dirigido por Renny Harlin (Risco Total) mostra McClaine num aeroporto invadido por terroristas; Em Duro de Matar – A Vingança (1995), novamente dirigido por John McTiernan, McClaine se une a Samuel L. Jackson pra deter terroristas agindo na cidade de Los Angeles; em 2007, foi lançado Duro de Matar 4.0, dirigido por Len Wiseman (Anjos da Noite 1 e 2) , em que McClaine juntamente com um hacker (Justin Long) tenta evitar que terroristas da informática, armados com o que há de mais avançado em matéria de tecnologia cause um caos em sua cidade. O segundo filme da série segue o mesmo ritmo alucinante do primeiro, mas o terceiro cai um pouco, apesar de também ser bom. O quarto filme volta a ficar mais acelerado e abre caminho pra outras continuações. Willis hoje com 55 anos de idade já deixou claro que ainda pretende fazer mais dois filmes dessa série.
Duro de Matar foi o filme que abriu as portas ao estrelato para Bruce Willis que até então não havia se destacado muito no cinema. Entre seus maiores sucessos (além da série Duro de Matar) estão: Pulp Fiction (1994) de Quentin Tarantino, Os Doze Macacos (1995) de Terry Gilliam, O Quinto Elemento (1997) de Luc Besson, O Sexto Sentido (1999) de M. Night Shyamalan e Meu Vizinho Mafioso (2000) de Jonathan Lynn. Em 2010 apareceu em uma ponta no sucesso Os Mercenários dirigido por Sylvester Stallone.
O elenco de apoio de Duro de Matar também brilha, com destaque para Alan Rickman (Razão e Sensibilidade) como o líder dos terroristas, e o russo Alexander Godunov (A Testemunha) falecido em 1995 aos 45 anos de idade, que faz o terrorista vingativo que tem seu irmão morto por McClaine.
Duro de Matar foi indicado aos Oscars de melhor som, efeitos sonoros, efeitos visuais e montagem, mas perdeu a maioria desses prêmios para Uma Cilada para Roger Rabbit. Duro de Matar foi posteriomente copiado inúmeras vezes (A Força em Alerta, Morte Súbita, etc.), mas nunca perdeu seu brilho e o posto de melhor filme de ação policial do cinema.

Nota: 5 de 5

Ttitulo original: Die Hard

Lançamento: 1988 (EUA)

Direção: John McTiernan

Atores: Bruce Willis, Alan Rickman, Bonnie Bedelia, Alexander Godunov, Reginald VelJohnson

Duração: 131 minutos

Um Lugar ao Sol

24 set

Certa vez Charles Chaplin definiu o filme Um Lugar ao sol da seguinte forma: É o melhor filme que assisti na vida. registra a supremacia do cinema sobre todas as outras formas de arte”. Não é difícil entender o porquê de tanta admiração vindo do genial Chaplin; afinal, ele se referia a uma obra-prima que resistiu ao tempo e se tornou um dos maiores clássicos da Sétima Arte. Mas de certo modo esse filme não teria sido o que é se não fosse pela genialidade do diretor George Stevens, um dos maiores realizadores do cinema americano de todos os tempos. Stevens acertou em todas as decisões tomadas ao contar a história de George Eastman (Montgomery Clift), um jovem que se muda para uma cidade e busca no tio uma oportunidade para se estabilizar em um emprego. Começa a trabalhar na linha de montagem da fábrica desse tio. Porém, descumpre a primeira regra que lhe é imposto: Não se envolver com funcionárias da mesma empresa. Conhece Alice Tripp (Shelley Winters) e mantém secretamente com ela um caso amoroso. Certo dia em uma festa na casa do tio, ele conhece outra jovem, dessa vez da alta sociedade, a bela Angela Vickers (Elizabeth Taylor), iniciando a partir daí um sólido relacionamento com ela. George e Ângela se amam e vivem esse amor, mas o que ele não esperava era que Alice estaria grávida dele e começaria a pressioná-lo para se casar com ela. George vê seus sonhos desmoronarem; se isso vier à tona ele perde seu emprego no qual estava subindo de cargo e perde também seu grande amor. Num momento de desespero, George planeja a morte de Alice e a convida a um passeio de barco. Durante o passeio, o barco vira, Alice morre. George escapa e vai tentar levar sua vida normalmente ao lado de Ângela. Mas nada fica oculto, e as cobranças começam a aparecer para ele. Cobranças da lei pelo “assassinato” de Alice. Se houve de fato um crime, cabe ao promotor Frank Burlowe (Raymond Burr) avaliar. George vai a julgamento, sendo barbaramente atacado por Frank. O final é um dos mais trágicos, levando à punição um homem que amou demais, ficando a pergunta: a omissão de socorro é um crime? O diálogo perto do final, quando o padre pergunta a George o que foi que esse omitiu a todos mas lhe falaria naquele momento, é a peça chave pra se entender todo o pensamento do condenado em relação ao acontecido no momento em que o barco virou. Baseado no livro Uma Tragédia Americana (1925) de Theodore Dreiser (o autor já era falecido quando o filme foi feito), Um Lugar ao Sol se tornou célebre por vários motivos, um deles era sua história forte e envolvente, na qual falava de ambição, condutas instáveis, rompimentos de regras, intolerância, desobediência e fatalidade. É interessante lembrar que um dos fatores para o declínio do personagem é a desobediência, quando ele rompe com o seu passado religioso e vai de encontro a uma vida de ambições, levando-o à ruína. O filme parece dizer ao personagem George Eastman: “Você tem todo o direito de buscar uma vida de ambições e prazeres, mas esteja preparado para arcar depois com as conseqüências”. A história é cruel com seus personagens, vai lhes dando alguns momentos de felicidade, para no final só lhes restarem dores e aflições. Dirigido com maestria pelo consagrado diretor George Stevens, um gênio do cinema, considerado perfeito na condução de atores. Antes de Um Lugar ao Sol, dirigiu filmes como Ritmo Louco, Gunga Din e A Primeira Dama. Depois fez o ótimo faroeste Os Brutos Também Amam, o épico Assim Caminha a Humanidade, o comovente O Diário de Anne Frank (1959) e o bíblico A Maior História de todos os Tempos. Em seus filmes predominavam a intolerância e o destino muitas vezes trágico. Ele deu aqui o melhor papel da carreira do excelente ator Montgomery Clift que está fenomenal no papel do trágico protagonista. Clift em muitas cenas não precisa dizer nada para expressar o que está sentindo, seu olhar diz tudo. A cena do barco por exemplo, em que ele passa pelo dilema em assassinar ou não a moça no qual engravidara, simplesmente entrega uma interpretação fora de série, algo simplesmente magistral. Clift era daqueles atores que era ótimo em todos os papéis. Trabalhou entre outros, com Howard Hawks no ótimo faroeste Rio Vermelho, com Alfred Hitchcock em A Tortura do Silêncio, com Fred Zinnemann no premiado À um Passo da Eternidade, com Stanley Kramer no contundente Julgamento em Nuremberg e com John Huston em Os Desajustados e Freud – Além da Alma. Elizabeth Taylor (uma das mais belas atrizes de Hollywood) foi revelada nesse filme e não parou mais de brilhar, em filmes como Assim Caminha a Humanidade (novamente dirigido por George Stevens), Gata em Teto de Zinco Quente (uma de suas melhores interpretações), Cleópatra (um épico que fracassou), Disque Butterfield 8 (primeiro Oscar de sua carreira) Quem tem medo de Virgínia Woolf? (segundo Oscar) e A Megera Domada. Shelley Winters era uma atriz que os diretores gostavam de trabalhar, porque ela dava plena credibilidade a seus personagens. Alguns de seus melhores filmes são Winchester 73, O Mensageiro do Diabo, O Diário de Anne Frank, Lolita e O Destino do Poseidon. Raymond Burr (que faz o promotor) é mais lembrado pelo público como o assassino no clássico Janela Indiscreta de Alfred Hitchcock. Anne Revere que interpreta a mãe do protagonista, está em obras importantes como A Canção de Bernadette e A Luz é para Todos. Um Lugar ao Sol teve nove indicações ao Oscar, levou seis nas seguintes categorias: Direção (o primeiro de Stevens, que viria a ganhar novamente por Assim Caminha a Humanidade), Roteiro adaptado, direção de arte em preto e branco, figurino em preto e branco (para a excelente Edith Head), montagem e trilha sonora (para Franz Waxman). Assim como Marlon Brando em Uma Rua Chamada Pecado, Montgomery Clift também dá um show de intrepetação em Um Lugar ao Sol, mas ambos perderam o Oscar pra Humphrey Bogart por Uma Aventura na África. Um Lugar ao Sol pode ser visto como um estudo sobre o amor, atitudes precipitadas, ambição, ruína, desespero e conseqüências. Mas antes de tudo deve ser visto como uma das maiores obras do cinema mundial. Como todas as grandes histórias de amor do cinema, aqui também o que parecia ser um amor para a vida toda, termina de forma trágica. Imperdível para cinéfilos e também quem busca uma ótima e triste história de amor.

Nota: 5 de 5

Ttitulo original: A Place in the Sun

Lançamento: 1951 (EUA)

Direção: George Stevens

Atores: Montgomery Clift, Elizabeth Taylor, Shelley Winters, Raymond Burr, Anne Revere.

Duração: 122 minutos

Drama